CASA MÁRTIR

SÃO SEBASTIÃO

NOSSA HISTÓRIA

Uma história de fé, resistência e ancestralidade

A história da Casa de Mártir São Sebastião começa com a trajetória de Dona Sebastiana Geralda Ribeiro da Silva, conhecida como Dona Tiana. Mulher de fé, liderança comunitária e guardiã dos saberes ancestrais, dedicou sua vida à preservação da cultura afro-brasileira, ao fortalecimento da Comunidade Quilombola Carrapatos da Tabatinga e à defesa da dignidade do seu povo. Seu legado permanece vivo, inspirando novas gerações a manterem acesa a memória, a identidade e a ancestralidade.

Dona Sebastiana Geralda Ribeiro da Silva (Dona Tiana)
Fundadora da Casa de Mártir São Sebastião e uma das principais lideranças da Comunidade Quilombola Carrapatos da Tabatinga.

CAPÍTULO I

Onde tudo começou

Antes de se tornar uma das principais lideranças negras e quilombolas de Bom Despacho, Sebastiana Geralda Ribeiro da Silva, conhecida como Dona Tiana, iniciou sua trajetória em Bom Sucesso, Minas Gerais. Desde a infância, a espiritualidade esteve presente em sua vida, fortalecendo-se com o passar dos anos e orientando sua missão de acolher, cuidar e servir às pessoas. Filha de Oxóssi, ela encontrou na fé, na ancestralidade e na solidariedade as forças que guiariam toda a sua caminhada.

Ao longo da vida, Dona Tiana passou por diferentes municípios até se estabelecer em Bom Despacho. Mulher negra, mãe de santo, capitã de Moçambique e liderança comunitária, transformou suas experiências em instrumentos de resistência. Sua atuação uniu espiritualidade, cultura e compromisso social, abrindo caminhos para a criação da Casa de Mártir São Sebastião, do Moçambique de São Benedito e de diversas iniciativas voltadas à valorização da população negra e da comunidade quilombola.

CAPÍTULO II

A chegada que transformou uma comunidade

Em 1966, Dona Sebastiana Geralda Ribeiro da Silva chegou a Bom Despacho a convite de Dona Elisa Queiroz. O que inicialmente seria apenas uma visita transformou-se em uma missão de vida. Ao conhecer a região da Tabatinga, enxergou muito mais do que um território marcado por dificuldades: viu uma comunidade rica em história, cultura e ancestralidade, mas que enfrentava desafios relacionados ao acesso à cultura, aos direitos sociais e ao reconhecimento de sua identidade. A partir desse encontro, decidiu permanecer e colocar seus conhecimentos, sua fé e sua liderança a serviço da população local.

Nos primeiros anos, Dona Tiana passou a desenvolver ações que iam muito além da dimensão religiosa. Organizou atividades culturais, incentivou manifestações populares, acolheu famílias, apoiou pessoas em situação de vulnerabilidade e fortaleceu os laços comunitários. Cada iniciativa representava um passo na construção de um território mais unido, onde a cultura afro-brasileira, a solidariedade e os saberes tradicionais fossem respeitados e transmitidos às futuras gerações. Foi nesse período que começaram a surgir as bases do legado que, anos depois, daria origem à Casa de Mártir São Sebastião e fortaleceria a Comunidade Quilombola Carrapatos da Tabatinga.

Vista da casa de Dona Sebastiana e do bairro da Tabatinga

Registro realizado em novembro de 1983, com Maria das Graças (Nem) e seu neto Anderson. Arquivo pessoal de Lázaro Antônio Felipe.

Foto tirada em frente à casa Mártir São Sebastião.

Casa Mártir São Sebastião.

CAPÍTULO III

A Casa que nasceu da fé

A espiritualidade sempre foi o alicerce da vida de Dona Tiana. Ao se estabelecer em Bom Despacho, sua primeira grande iniciativa foi construir um espaço dedicado à fé, ao acolhimento e à preservação das tradições afro-brasileiras. Assim nasceu a Casa de Mártir São Sebastião, um terreiro consagrado a São Sebastião, sincretizado na Umbanda com o orixá Oxóssi, guardião das matas, da sabedoria e da prosperidade. Mais do que um espaço religioso, a Casa tornou-se um lugar de encontro, escuta, proteção e fortalecimento da comunidade.

Desde os primeiros anos, a Casa de Mártir São Sebastião acolheu pessoas de diferentes origens, oferecendo orientação espiritual, benzeções, rezas, partilha de alimentos e cuidado com aqueles que mais precisavam. Ali também eram preservados conhecimentos sobre plantas medicinais, cantos, rezas, manifestações culturais e saberes transmitidos de geração em geração. Em uma época marcada pelo preconceito contra as religiões de matriz africana, manter esse espaço aberto e ativo representava um ato diário de coragem, resistência e afirmação da identidade negra e quilombola.

CAPÍTULO IV

Fé, cultura e resistência

A atuação de Dona Tiana nunca esteve limitada ao espaço religioso. A partir da Casa de Mártir São Sebastião, ela ampliou sua missão para diferentes áreas da vida comunitária, unindo fé, cultura, solidariedade e defesa dos direitos da população negra. Sua liderança transformou a Tabatinga em um território de criação, organização e resistência.

Ao longo das décadas, Dona Tiana fundou e fortaleceu manifestações culturais, acolheu famílias, distribuiu alimentos e enfrentou o racismo e a intolerância religiosa. Cada ação reafirmava que preservar a ancestralidade também significava garantir dignidade, participação e futuro para sua comunidade.

Preservação Cultural

Fundou o Moçambique de São Benedito, criou a Escola de Samba Estrela de Ouro e fortaleceu manifestações culturais que preservam a identidade afro-brasileira e quilombola.

Acolhimento Comunitário

Transformou a Casa de Mártir São Sebastião em um espaço de acolhimento, orientação espiritual, partilha de alimentos e apoio às famílias, fortalecendo os laços comunitários e a solidariedade.

Luta e Resistência

Fundou o Moçambique de São Benedito, criou a Escola de Samba Estrela de Ouro e fortaleceu manifestações culturais que preservam a identidade afro-brasileira e quilombola.

Registro histórico de Dona Sebastiana como porta-bandeira e Antônio como mestre-sala, preservando uma das manifestações culturais criadas e fortalecidas por ela em Bom Despacho.

CAPÍTULO V

O despertar da identidade quilombola

A trajetória construída por Dona Sebastiana fortaleceu o sentimento de pertencimento da Comunidade Quilombola Carrapatos da Tabatinga. Ao longo das décadas, a preservação da cultura, da espiritualidade e da memória coletiva impulsionou a organização comunitária e contribuiu para o reconhecimento de sua identidade quilombola, abrindo novos caminhos para a luta por direitos e pela valorização de sua história.

Mobilização da Comunidade Quilombola Carrapatos da Tabatinga em encontro voltado ao fortalecimento da identidade quilombola e da organização comunitária.

NOSSA TRAJETÓRIA

Linha do Tempo da Casa de Mártir São Sebastião

Conheça os principais acontecimentos que marcaram a história da Casa de Mártir São Sebastião, da trajetória de Dona Sebastiana Geralda Ribeiro da Silva até a atuação da instituição nos dias atuais, preservando a memória, a cultura e a identidade da Comunidade Quilombola Carrapatos da Tabatinga.

Chegada a Bom Despacho

Convidada por Dona Elisa Queiroz, Dona Sebastiana chegou à Tabatinga. O que seria apenas uma visita transformou-se em uma missão de vida dedicada à fé, ao acolhimento e à preservação da cultura quilombola.

1966


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1970


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Os primeiros trabalhos comunitários

Nos primeiros anos em Bom Despacho, Dona Tiana passou a receber pessoas em busca de orientação espiritual, benzeções e acolhimento. Sua casa tornou-se um ponto de encontro para famílias da comunidade e para aqueles que precisavam de apoio.

Fortalecimento da cultura popular

Além da atuação religiosa, Dona Tiana passou a incentivar manifestações culturais, encontros comunitários e ações voltadas à valorização da identidade negra e quilombola.

1980


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1990/2000


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Escola de Samba Estrela de Ouro

A criação da Escola de Samba Estrela de Ouro ampliou a participação da comunidade nas manifestações culturais, utilizando a música e o carnaval como instrumentos de inclusão e valorização da identidade local.

Um período de silêncio

Após o falecimento de Dona Tiana, as atividades da Casa de Mártir São Sebastião foram interrompidas. Mesmo sem funcionamento, sua história permaneceu viva na memória da comunidade.

2012


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2023


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Renascimento da Casa

A nova geração da família e da comunidade reorganizou a Casa de Mártir São Sebastião, retomando as atividades religiosas, culturais e sociais inspiradas no legado deixado por Dona Tiana.

Novos projetos e reconhecimento

A instituição passou a desenvolver projetos culturais, oficinas, ações de educação patrimonial, preservação da memória e fortalecimento da Comunidade Quilombola Carrapatos da Tabatinga, conquistando novos parceiros e editais.

2024


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2025


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Expansão das atividades

A Casa ampliou sua atuação com ações voltadas à sociobiodiversidade, justiça climática, educação comunitária, inclusão produtiva, comunicação digital e valorização dos saberes tradicionais.

Um novo capítulo

A Casa de Mártir São Sebastião consolida-se como Ponto de Cultura, fortalecendo sua atuação nacional por meio de projetos, editais, publicações, formação comunitária e iniciativas de preservação da memória quilombola, sempre inspirada pelo legado de Dona Sebastiana Geralda Ribeiro da Silva.

2026


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